Parar de comparar-te com os outros

Estávamos na época de Natal e pela primeira vez íamos passá-lo no Luxemburgo com os meus tios e primos que lá vivem. Os meus pais, a minha irmã e eu estávamos super animados.


Consegues imaginar?


Era a primeira vez que íamos estar juntos nesta época e sabíamos que este ia ser um Natal diferente.


E foi! Mas havia algo que não contávamos.


Justamente quando chego ao Luxemburgo começo a sentir-me doente. Lembro-me de lutar com todas as minhas forças para ficar bem e não ter de dizer aos meus pais como me estava a sentir.


Mas imagina uma criança de 8 anos que quando está doente parece a Branca de Neve de tão pálida que fica (já sou branquinha, agora imagina doente)...


Uma criança que anda semanas super entusiasmada com a viagem e justamente quando chega ao destino está em modo arrasto. Claro que os meus pais perceberam rapidamente o que se passava.


Tenho o privilégio de uma das minhas primas ser enfermeira e por isso rapidamente conseguimos um médico que me tratou de um abscesso. Em conversa com o médico e sendo esta uma das grandes preocupações dos meus pais, disseram ao médico:

"Sr. Dr. ela é tão magrinha, passa o dia a petiscar e na altura das refeições não come nada..."


Interrompe o médico para responder: "Como vocês são "assim" (fez gesto para simbolizar largo) querem que vossa filha seja igual"


Não posso dizer que a partir desse dia os meus pais deixaram de ficar preocupados com o "ser magra", mas até hoje lembram-se desta história porque no fundo meio que os acalmou.


O que o médico fez foi comparar.

Comparar o ideal ou expectativa que eles (os meus pais) tinham sobre o que seria bom para mim, com o meu peso na altura.


Arrisco-me a dizer que nós seres humanos fazemos isto constantemente: comparar.



Na maioria das vezes geramos esta comparação de forma tão automática que nem nos damos conta do quanto ela influencia os nossos comportamentos e ações (ou inações).


No seu livro "A coragem de ser imperfeito" a autora Brené Brown vai mais longe e fala-nos sobre a origem da escassez "a sensação da escassez prospera em culturas com propensão à vergonha, profundamente imersas na comparação e fraturadas pela desmotivação". A autora partilha connosco três componentes da escassez sendo a comparação uma delas, as outras duas são: a vergonha e o distanciamento.


Tal como a autora expõe neste livro algo que todos temos em comum "é estarmos fartos de sentir medo. Todos queremos ser valentes. Queremos ousar ser grandes." mas por outro lado "as maiores baixas de uma cultura de escassez são a nossa disponibilidade em assumir as nossas vulnerabilidades e a nossa capacidade de lidar com o mundo..."


No fundo a escassez e o principal problema da escassez está no pensamento de insuficiência de nunca ser, fazer ou ter o suficiente.


Arrisco-me a dizer que este pensamentos de escassez "não sou suficiente", "não faço suficiente", "não tenho o suficiente" surgem de forma automática sem um verdadeiro questionamento sobre o pensamento.


O que torna a comparação tão negativa e diria tóxica na nossa vida?


Diria que é a idealização da vida perfeita, emprego perfeito, negócio perfeito, casamento perfeito, casa perfeita, família perfeita. Criamos uma versão idealista do que será uma realidade perfeita e mediamos a nossa versão idealista, muitas vezes moldada pelos contos de fada, com a versão que contamos a nós mesmo sobre quanto a vida da outra pessoa é melhor.


Este tipo de comparação cria a visão de um mundo irrealista moldado por uma visão fictícia da realidade. O perigo disto é o esquecimento do caminho percorrido e das pequenas vitórias. A longo prazo a consequência poderá ser a inação baseada em expressões como "não tenho o talento", "não sou boa o suficiente" "não sou capaz".


A pergunta que se deveria seguir ao: "não tenho...", "não sou...." deveria ser: "Comparado com o quê?" ou "Comparado com quem?"


A base de muitos "mal estares" na vida está nas desculpas, nas queixas e lamentos do que ainda não temos, não somos ou não fizemos. As desculpas, queixas e lamentos são o efeito, a causa é a - Comparação.



Em 2016 quando lancei o meu primeiro vídeo no canal do Youtube, foi um momento de grande tensão e vulnerabilidade. Muitos foram os pensamentos que surgiram, entre eles "quem pensas que és?"

Mais uma vez a causa deste pensamento automático que turva a visão e pode bloquear a ação, é a comparação.


Então, mas Ana Rita, como faço para deixar de me comparar?

Na minha perceção existe um tipo de comparação positiva, aliás é este tipo de comparação que me faz continuar a construir a vida que desejo.


Por isso, na minha perceção, a mudança está em aprender a lidar com a comparação e não em deixar a comparação.

Se és alguém que nunca se comparou ou que se comparou e hoje não o faz mais, vou adorar conhecer-te. Eu não sou essa pessoa. Continuo a ter momentos em que o pensamento de comparação surge, então aí vem o primeiro passo para lidar com a comparação.


1. A Auto Consciência.


Eu não posso lidar com algo que não tenho consciência. Primeiro tomo consciência daquilo que digo, penso e das idealizações que posso estar a criar.


Quando te apanhares a usar afirmações começadas com "não sou...", "não faço..." ou "não tenho..." questiona-te "comparado com o quê ou com quem?".

Ainda que seja verdade que ainda não sejas essa pessoa, que ainda não faças algo ou não tenhas algo, o ponto aqui é tomar consciência.


Porque com a auto consciência vem a:


2. Auto Responsabilização


Agora que tomei consciência, estou no caminho para assumir a responsabilidade sobre se aquilo realmente faz sentido.


Para ilustrar este ponto, deixa-me partilhar esta parte da minha história:

Com apenas 21 anos eu tinha preenchido aquilo a que chamo a Checklist da Felicidade, nesta checklist eu tinha estudado, entrado na faculdade, saído da faculdade, passado num concurso público para exercer funções na Função Pública. Resumindo tinha tudo para ser feliz e bem sucedida.


O que me levou a fazer estas escolhas?

Esta era a minha visão ideal do que era a felicidade.

Como criei esta visão?

Comparando a minha vida à vida das outras pessoas.


Hoje este processo é consciente, mas este processo aconteceu todo de forma automática. Quando se tornou consciente, através do questionamento, veio a responsabilização para assumir uma vida que estivesse mais alinhada com a Ana Rita.


A partir deste momento a conversa torna-se bem mais interessante.


3. Comparação Positiva


A partir do momento em que assumo a responsabilidade, assumo também o poder e posso começar, aquilo a que chamo comparação positiva, - a mudança da comparação externa para a comparação interna.


Comparação entre o que és capaz agora e aquilo que foste capaz no passado e aquilo que desejas ser capaz no futuro.


Neste tipo de comparação medes o teu sucesso tendo em linha de consideração o teu Eu.


- Como posso melhorar as minhas habilidades? Este é um exemplo de questão que me coloco. __________


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Créditos música: https://www.youtube.com/watch?v=5hTaTrJowJk Créditos imagem: Jason Dent on Unsplash

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